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A importância de estar triste

Atualizado: 6 de mai. de 2025




Emoções e Psicoterapia; Psicologia Torres Vedras

A senhora do café onde costumo ir tem sempre um sorriso na cara e duas ou três frases feitas por si, que atira aos clientes para contagiá-los com a sua boa disposição.

 

No outro dia, um senhor mais velho, também de sorriso fácil, perguntou-lhe em jeito de provocação: “Mas como é que é possível esta senhora estar sempre feliz?!” ao que ela encolheu os ombros e num suspiro respondeu “Eu? Eu não! Eu não tenho é tempo para estar triste!”.

 

Apesar da minha profissão ser psicóloga, nunca fui de andar a dar opiniões não solicitadas às pessoas que vou encontrando no meu dia-a-dia  (acho que há um contexto próprio para isso). Mas, se eu fosse diferente, teria dito: “Não tem tempo para estar triste? Então arranje-o urgentemente!”

 

Estar triste é tão importante como estar feliz, mesmo que a sociedade nos exija, muitas vezes, o uso de máscaras emocionais, já que é mais fácil e mais agradável para os clientes chegarem ao café e serem recebidos por um sorriso, em vez de uma cara carrancuda. 

 

Mas, para a nossa saúde mental, é fundamental experienciarmos todo o tipo de emoções, positivas ou negativas, dependendo do que os acontecimentos da nossa vida provocam em nós. E, depois, comportarmo-nos de acordo com essas emoções.

 

De uma forma muito simplificada, podemos pensar no fluxo do processamento das emoções como o processo da digestão de alimentos: os acontecimentos ou pensamentos provocam em nós emoções, que têm de ser digeridas (umas são de digestão mais fácil do que as outras), retiramos daí nutrientes que melhoram a nossa saúde mental e que nos fazem crescer como pessoas, mas temos de nos libertar do excesso de energia através do nosso comportamento. Por exemplo, alguém me conta uma anedota, que provoca em mim divertimento, por isso, rio-me. Se, em vez disso, choro ou se sinto medo, algo não está bem neste fluxo e devo ir ver o que se passa.

 

O mesmo com as emoções “não digeridas”. Quer seja por um dia-a-dia demasiado atarefado, como esta senhora do café, quer seja por termos uma personalidade que tende a “fugir” dos sentimentos negativos e a andar sempre para a frente, a verdade é que se não formos processando as nossas emoções e permitindo-nos sentir o leque de emoções que a vida nos dá, corremos o risco de ir acumulando dentro de nós estes pedaços não digeridos, até que um dia, quando menos esperamos, eles decidem sair por si.

 

É comum acontecer num momento de calma, em que estamos a passear distraidamente no corredor dos congelados do hipermercado, num dia em que não estamos com especial pressa, ou quando estamos a conduzir numa estrada sem grande trânsito, rumo a uma esplanada onde combinámos um lanche com uma amiga. Não está a acontecer nada de especial, não acabou de acontecer nada de especial, nem sequer esperamos que vá acontecer alguma coisa de especial, mas, de repente, o coração dispara, o suor frio cobre-nos o rosto, as mãos e as pernas ficam trémulas e somos assaltados por sentimentos de pânico e de angústia que nunca antes tínhamos sentido. E aí sim, temos mesmo de parar e sentir! Só que, agora, é tudo de uma vez.

 

Por isso, tal como vamos ao médico quando alguma coisa não está bem na nossa digestão, é igualmente importante procurarmos um profissional de saúde mental (psicólogo ou psiquiatra), quando alguma coisa não está bem na “digestão” das nossas emoções.


Se tem sintomas de depressão ou ansiedade, marque aqui a sua consulta ou, se preferir, podemos conversar um pouco, sem custos e sem compromissos:



 
 
 

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© 2025 por Patrícia Teixeira

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