Burro velho já não aprende línguas?
- Patrícia Teixeira
- 31 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 29 de abr. de 2025

“Ah, já não vale a pena. Estou velha, já não vou mudar!”.
Quantas vezes, na minha prática clínica, já ouvi esta frase, vinda de pessoas que, normalmente arrastadas para a consulta por familiares, se sentam em frente a mim de braços cruzados, reforçando esta falta de abertura?
Parece que há, entre as pessoas mais velhas, o equívoco generalizado de que a psicoterapia não é indicada para elas. E existem várias razões para isso:
- “Não estou maluca, o meu problema é esta dor aqui na perna!” – Durante muitos anos, a psicologia foi vista de duas formas opostas: como um luxo de quem podia pagar para falar sobre os seus problemas no divã ou como último recurso para quem, coitadinho, ‘perdeu o juízo’. No meio disso, a saúde mental das pessoas comuns foi esquecida. Acreditava-se que apenas a saúde física merecia investimento – ideia que se reforça ainda mais nesta fase da vida, em que os problemas físicos tendem a agravar-se. Mas e os problemas psicológicos e emocionais?
- “Isso demora muitos anos, já é tarde para começar!” – É difícil prever quanto tempo é que uma psicoterapia vai demorar. Aqui, cada caso é mesmo um caso e o processo terapêutico é construído a dois. Assim, ambos, terapeuta e cliente, definem objetivos, delineiam estratégias, reconhecem resultados, sempre tendo em conta as características daquela pessoa em particular, entre elas, claro, a sua idade.
- “Burro velho não aprende línguas!” – Este é um daqueles casos em que a sabedoria popular não podia estar mais errada (a não ser que se esteja a referir mesmo ao animal, mas, nesse caso, a idade é irrelevante!). Como é possível achar-se que as pessoas mais velhas não têm capacidade de aprendizagem, de mudança, de adaptação, quando todo o processo de envelhecimento é isso mesmo: mudança, mudança e mais mudança?! Arrisco até dizer que é a fase da vida em que ocorrem mais mudanças: são as alterações hormonais, são as mudanças na imagem corporal, os problemas de saúde, a reforma, a viuvez e as perdas de familiares e amigos, cada vez mais frequentes, a solidão, entre tantas outras. Como não mudar? Como não adaptar-se às novas circunstâncias?
E são tantos os desafios desta fase da vida, que é natural que surjam dificuldades e que, por vezes, seja preciso ajuda para enfrentá-los. Mas se a vida nunca parou de mudar, por que haveríamos nós de parar de crescer? A psicoterapia não tem idade — apenas vontade de compreender, transformar e viver melhor.
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